quarta-feira, 20 de junho de 2012

Quando foi que deixou de fazer as coisas que gostava, ela não sabe. Em algum momento entre uma mudança e outra, ela se perdeu no meio dos móveis. Ninguém lembrou de embrulhar com jornal e pôr na caixa certa. Ficou esquecida por tanto tempo, suspensa, dormente, que quando finalmente desempacotaram tudo e deixaram a luz entrar, ela já não sabia mais quem era e nem pra onde estava indo, tão cheia de poeira quanto de dúvidas. Mas uma coisa é certa: em algum momento, entre mais uma mudança e outra, ela vai descobrir o espaço ao qual pertence, e tudo vai ficar em seu devido lugar.

sábado, 18 de junho de 2011


tédio (té-dio). s. m.: Fastio, aborrecimento, nojo, desgosto: o tédio dos longos dias de isolamento.


mas que século errado, não? as grandes guerras passaram, as novidades tecnológicas já não são tão novidades assim, aquela vida cheia de surpresas e coisas novas que imaginei para mim hoje não passa de um sonho distante. o isolamento social me faz cair no aborrecimento. mas o não isolamento social também, e se é pra ficar aborrecida, que seja sozinha, pelo menos evito o
constragimento do comportamento socialmente destrutivo que me acompanha desde a minha também chata infância.
"nossa, Dalila, você é muito chata, precisa viver mais!" sim, sou chata mesmo, e você também é, não se engane. viver mais? i don't think so, my dear. pelo menos não no lugar onde me encontro agora, o que me leva à próxima parte do meu não tão chato raciocínio: o bom do tédio!
o tédio é aquele estado em que sua mente fica para que você perceba que precisa fazer alguma coisa. "tome uma providência, mulher!" e você toma! é com o tédio que começam as aulas de violão, espanhol e francês. but then again, it goes away (ele não é tão bom assim), e com ele a vontade de aprender essas e outras coisas.

boredom is boring! e viver com tédio é tipo zumbie way of life. conselho de alguém que vive assim: quando o tédio é tão presente que já faz parte de você, não deixe que ele te impeça de ser a pessoa com o humor incompreendido que você é. então, agora, nesse momento, irei tomar um banho e sair para comer alguns cérebros.


Entediadamente disposta, Dalila Couto.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


palavras.
toda reunião de família eu ouço minha mãe dizer que eu demorei pra começar a falar. ouço, mas não digo nada (nessas reuniões, é mais seguro rir!) e então, eu ouço meus irmãos dizerem "claro, cheia de dengo e mimo, nunca precisou falar nada!" sim, fui muito mimada, recebi muito dengo, mas não acredito que isso tenha contribuído pra o meu atraso na fala. articular palavras nunca foi fácil pra mim. na verdade, nunca foi algo que eu gostasse de fazer. escrevê-las, por outro lado, é a minha paixão. eu acredito que a palavra escrita pode tornar qualquer verdade imortal. acredito que a capacidade de organizar seus pensamentos e colocá-los no papel de forma clara é um dom. na fala, tudo se perde. todo o encantamento, todo o tom que o leitor pode imaginar para as palavras, se perde na fala.
sim, Dalila, e qual é o seu ponto? o meu ponto é simples: calem a boca!


Dalila Couto, silenciosamente revoltada!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

esqueça. esqueça tudo. aquela clareza que você tinha das coisas, aquele medo de errar, aquela certeza do que você é, e do que você quer, esqueça!
quando a gente tem 17, 18 anos, podemos ver nossa vida inteira pela frente, fazemos "grandes" decisões e pensamos que, por muito tempo, isso vai ser o suficiente. mas não é. portanto, esqueça tudo isso, porque não faz muita diferença. erre enquanto puder errar. e depois que você tiver esquecido, e errado, pare e se olhe no espelho. se você ainda for aquela mesma pessoa do início do post, você ainda tem muito trabalho pela frente. então vá, erre mesmo! não esquente a cabeça!
quando já tiver feito (e refeito, se necessário) tudo isso, aí sim escolha, e não recue quando "eles" não o aprovarem, é só "manter a mente quieta, a espinha ereta, e o coração tranquilo". just forget them, and let it go!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

- a sensação:
é como um mergulho numa água bem morninha;
é como se enrolar num cobertor num diazinho frio;
é como aqueeela xícara de café de manhã, nos avisando que o dia já começou;
é como ouvir sua música preferida tocar no super mercado, depois de um dia sem graça;
é como voltar pra casa depois de passar tempo demais fora;
é como aquele ventinho de fim de tarde que passa brincando com nosso cabelo;
é como a alegria de seu cachorro quando te vê;
é como o riso de seus melhores amigos;
é como se o mundo fizesse sentido...
- a sensação é essa!

[ôôô coisa boa é um abraço!!!]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

os 5 estágios:

negação. raiva. barganha. depressão. aceitação.


é como entrar no ring sem estar preparado para a luta. você nunca acha que o seu ponto fraco é fraco, e o pior, você nunca acha que tem um ponto fraco.

é como você sair com o maior sol, e no meio do caminho cair uma chuva inacreditável.

é como você viajar e esquecer aquele item essencial.

é como você não encontrar uma coisa que lhe é muito especial, e acabar descobrindo que perdeu.

é como o vaso quebrado. é exatamente como o vaso quebrado.


os 5 estágios:

negação. raiva. barganha. depressão. aceitação.

[de mudança! de novo!]

domingo, 23 de maio de 2010

danificado
da.ni.fi.ca.do
adj (part de danificar) Que se danificou; que sofreu dano; avariado, estragado.

começa desde cedo. quebramos aquela peça de porcelana que nossa mãe tanta gosta. tentamos colar, mas nunca fica do mesmo jeito. lutamos pra ninguém perceber que quebramos a porcelana, e quando alguém olha de perto, congelamos, entramos em pânico. o medo de que alguém descubra é aterrorizante.
começa desde cedo. quando crescemos, descobrimos que estamos tão danificados quanto àquela porcelana (ou mais). e a única coisa que nos resta a fazer é juntar os pedaços e rezar para que ninguém note. e o sentimento, aquele medo... vem em ondas. primeiro, a calmaria, e depois outra onda nos atinge.

(droga de porcelana...)